Menina com cabelos pretos e longos cansada em frente ao notebook.

Por que a gente se cansa mais nas aulas remotas e o que podemos fazer?

Entenda as possíveis causas por trás de tanto cansaço nas aulas remotas e descubra o que fazer melhorar o desempenho e aumentar a disposição.

Desde que a pandemia começou, instituições de ensino de todo o país têm tentado se adaptar ao que muitos chamam de novo normal. Durante este artigo, iremos discutir o cansaço nas aulas remotas ao vivo, possíveis causas e medidas para remediar, ou pelo menos diminuir, o impacto negativo que professores e estudantes vêm sofrendo.

Este artigo faz parte da nossa coleção de materiais de apoio aos profissionais da educação durante a pandemia de Covid-19. Para ver outros artigos da coleção você pode tocar aqui.

Praticamente um ano depois do começo da pandemia, nos encontramos em uma situação delicada no ensino: como garantir que alunos tenham aproveitamento pedagógico e evitar que esse período passe em branco para escolas e faculdades? Para resolver esse problema, muitas instituições adotaram o ensino remoto síncrono, no qual professores e estudantes se encontram através de alguma plataforma de chamada de vídeo para discutir o tópico do dia, assim como fariam em sala de aula. O que ninguém os avisou nessa mudança seria o cansaço extremo que alguns dos colegas relatam todos os dias.

Menina com cabelos pretos e longos cansada em frente ao notebook.
O que ninguém os avisou nessa mudança seria o cansaço extremo que alguns dos colegas relatam todos os dias. Business photo created by diana.grytsku – www.freepik.com

Na verdade, lá fora isso já tem até nome: Zoom Fatigue, ou Cansaço de Zoom em tradução literal. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, acreditam que todas essas chamadas estão tendo um custo muito alto, psicologicamente falando, para os envolvidos. O professor Jeremy Bailenson, do Laboratório de Interação Virtual Humana em Stanford (VHIL na sigla original), examinou em uma pesquisa recente como as chamadas de vídeo estão nos sobrecarregando com sugestões sociais não-verbais.  

Sugestões, também chamadas de dicas ou pistas, sociais são uma espécie de guia, verbal ou não, que orientam as interações dentro da sociedade. Elas podem ser gestos, tom de voz, linguagem corporal, postura, proximidade, entre outros. Essas pistas geralmente são tanto produzidas quanto percebidas quase que involuntariamente, mas a alteração drástica para o ambiente virtual nos deixou em estado de vigilância sobre o próprio comportamento. Vamos dar uma olhada nas 4 razões principais que Jeremy aponta como causas para esse cansaço.

Todo mundo está olhando para você

Tela de notebook com chamada no Zoom
Todo mundo está olhando para você – Photo by Chris Montgomery on Unsplash

Durante uma reunião ou aula presencial, dificilmente teremos contato visual por muito tempo, alguns alunos vão estar anotando o que está sendo discutido, com a visão fixada no quadro ou até mesmo caminhando pela sala. Já nas chamadas de vídeo, temos uma quantidade não-natural de contato visual, com a sensação de que todo mundo está olhando para todo mundo o tempo todo, independente de quem está falando e quem está apenas escutando.

Outro fator gerador de estresse é o tamanho do monitor. Dependendo do tamanho de sua tela e de quão perto você está dela, a distância percebida entre você e os outros integrantes da chamada pode ser pequena demais para oferecer algum conforto. Uma outra pesquisa feita em 1966 por Edward Hall descobriu que qualquer distância menor que 60 cm entre as pessoas era reservada para relacionamentos mais íntimos, porém a sensação durante uma chamada de vídeo é que essa distância não passa de 50 cm, deixando o cérebro em um estado de antecipação constante do que virá a seguir.

Sobrecarga Cognitiva

Garoto com expressão de cansaço.
Cansaço e Sobrecarga Cognitiva. Photo by Doğukan Şahin on Unsplash

Durante uma aula presencial, a comunicação não verbal flui naturalmente sem que precisemos prestar atenção. Essa comunicação por meio de sugestões sociais é extremamente complexa mas também instintiva e sem esforço para situações presenciais. Já numa chamada de vídeo, o indivíduo torna-se consciente dessa comunicação e precisa se esforçar mais para que seja entendido, levando a uma sobrecarga (e cansaço) do cérebro. Exemplos desses esforços extras são: estar o tempo inteiro corrigindo a câmera para ficar centralizado no vídeo e acenar com a cabeça de forma exagerada para demonstrar que concorda com algo que foi dito. 

Num outro estudo de 1999 por Pamela Hinds, a sobrecarga não aconteceu numa ligação apenas de áudio, sugerindo que o esforço necessário para compreender a comunicação por vídeo é maior do que apenas por áudio, 

Espelho, espelho meu…

Duas pessoas em uma chamada de vídeo no Zoom
Estar em uma chamada de vídeo é como ter um espelho apontado para você durante toda a reunião. Photo by visuals on Unsplash

Já imaginou se durante o expediente alguém lhe seguisse com um espelho na mão refletindo o seu rosto o tempo inteiro? Pode até parecer ridículo, mas é exatamente isso que acontece durante uma chamada de vídeo, você encara a si mesmo no vídeo até o fim da ligação. 

Vários estudos já indicaram que a exposição exagerada a um espelho leva a autocríticas severas e impacta em nosso desempenho. Participantes de uma pesquisa feita por Rick E. Ingram tiveram resultados ruins em um teste depois que foram expostos ao próprio vídeo ao vivo 

Se movimentar para quê?

Webcam no Home Office
O campo de visão das webcams restringe o quanto podemos nos mover durante uma chamada de vídeo. – Photo by Waldemar Brandt on Unsplash

As câmeras possuem um campo de visão limitado e, por isso, outra tarefa que realizamos durante uma chamada é tentar se manter nesse campo de visão o tempo inteiro. A norma cultural dita que se deve estar no centro da câmera e próximo o suficiente para todos verem o seu rosto num bom tamanho, o que acaba limitando o quanto você pode se mover.

Vários estudos já mostraram que se mover durante uma reunião melhora o aprendizado e produz ideias mais criativas do que aquelas apresentadas por pessoas que ficaram paradas. Mesmo que aplicativos não imponham regras sobre se movimentar durante a chamada, sentar-se em frente ao computador e permanecer no campo de visão da câmera restringem a mobilidade. 

Embora alterações maiores são necessárias para reduzir os impactos sofridos por quem precisa estar muito tempo numa chamada de vídeo, como, por exemplo, alterações no layout e funcionamento dos aplicativos, há algumas coisas que você pode fazer agora:

  • Experimente fazer pausas durante as chamadas. Pequenos intervalos para uma água, um lanche ou um alongamento já podem diminuir o stress de todos;
  • Afaste-se da sua tela. A distância maior entre você e a tela aumenta a sua área pessoal e faz com que você relaxe mais;
  • Esconda a visão da sua câmera de si mesmo sempre que possível. Parar de se ver o tempo inteiro pode diminuir os impactos negativos da autoconsciência;
  • Organize o seu tempo e adicione pequenas práticas de meditação ao longo do dia, temos um ótimo artigo sobre técnicas simples e rápidas para o dia a dia corrido.

O artigo original (em inglês) pode ser lido gratuitamente tocando aqui.

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